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quinta-feira, 15 de janeiro de 2026

Os Idos de Janeiro e o ajuste do ano


No calendário romano antigo, o dia 15 de janeiro marcava os Idos de Janeiro. Diferente da fama trágica dos Idos de Março*, os Idos de Janeiro tinham um caráter discreto, porém essencial: eram dedicados à organização da vida pública, à validação de acordos e à reafirmação de compromissos feitos no início do ano.

Era o momento de conferir se aquilo que foi prometido realmente podia ser sustentado.

Simbolicamente, esse dia carrega a energia do ajuste fino. Se o dia 1º de janeiro representa o impulso, o desejo e a intenção, o dia 15 pergunta algo mais incômodo e profundo:
isso é viável? isso é coerente? isso tem base?

Não é um dia de criar novas metas, mas de rever escolhas feitas no entusiasmo. O que foi decidido no impulso pode agora ser refinado, corrigido ou, se necessário, abandonado sem culpa.

Os Idos de Janeiro lembram que o verdadeiro começo não é barulhento. Ele acontece quando intenção e responsabilidade se encontram.
É o dia em que o ano deixa de ser promessa e começa a exigir estrutura.

Os Idos de Janeiro não pede pressa. Pede lucidez.

*Referência ao assassinato de Júlio César em 15 de março de 44 a.C., evento que marcou o fim da República Romana.

sexta-feira, 28 de agosto de 2020

Santa Sabina de Roma


Sabina de Roma viveu numa época em que os cristãos só eram martirizados se fossem denunciados. Filha de Herodes Metalário e viúva do senador Valenciano, Sabina se converteu ao cristianismo ouvindo as histórias que sua escrava, Seráfia, lhe contava. As duas também saíam à noite para ir às catacumbas, como chamavam os cemitérios daquela época, para estar com os cristãos que se reuniam clandestinamente para não serem vistos.
De acordo com a história, Seráfia acabou sendo denunciada e presa para ir a julgamento. Ela deveria fazer uma homenagem aos deuses romanos para que a denúncia contra ela fosse anulada e ela ficasse livre. Mas a serva se recusou. Foi, então, entregue a dois algozes para que abusassem dela. Mas sem que eles esperassem, foram acometidos por uma dor terrível que os fez cair doentes. Seráfia foi chamada de bruxa e por isso, apedrejada até a morte. Sabina conseguiu levar o corpo de sua serva para ser enterrado no mausoléu de sua família. O prefeito Elpídio descobriu o que Sabina fez e a acusou de ser cristã. Sabina foi presa e interrogada. Ela também rejeitou os deuses romanos e exaltou a sua fé no cristianismo.
Foi então morta no dia 29 de agosto, do ano 125, e canonizada mais tarde. Ela é representada com um livro e uma folha de palma nas mãos e uma coroa na cabeça.

sexta-feira, 14 de agosto de 2020

São Maximiliano Maria Kolbe

São Maximiliano Maria Kolbe foi um padre missionário da igreja católica que morreu como mártir num campo de concentração em 14 de agosto de 1941.

Seu nome de batismo era Raimundo Kolbe. Nasceu em 1894, na Polônia, numa família de operários humildes, mas ricos na fé cristã. Aos 13 anos de idade entrou para o Seminário dos Frades Menores Conventuais Franciscanos, onde se destacou pela sua devoção à Nossa Senhora. Ainda como estudante, fundou um apostolado mariano chamado “Milícia Imaculada”. 

Em 1918, recebeu o sacramento da ordem e adotou o nome religioso de Maximiliano Maria. Quatro anos mais tarde, fundou uma tipografia e mostrou o seu dom de comunicador. Criou e editou uma revista dedicada à Nossa Senhora, um periódico semanal, uma revista para crianças e outra para sacerdotes. Em pouco tempo, as tiragens que eram pequenas, passaram à casa do milhar. Mas não ficou só na escrita, montou uma emissora católica de rádio e tinha como meta estender sua obra para o mundo inteiro. Chegou até o Japão onde foi bem recebido e seguido.

No início da Segunda Guerra Mundial, Maximiliano voltou para a Polônia para formar novos franciscanos. Foi preso em 1939, mas solto logo depois. No entanto, em 1941, foi novamente preso e desta vez, levado para o campo de concentração de Auschwitz. Até que em agosto, um dos prisioneiros conseguiu fugir e como castigo, os nazistas sortearam 10 pessoas para serem mortas. Um dos dez sorteados, Francisco Gajowniczek, começou a chorar e a clamar em voz alta piedade pois tinha esposa e filhos para criar. Maximiliano pediu ao comandante alemão que fosse morto no lugar de Francisco. Seu pedido foi aceito.

Os dez sorteados foram colocados numa sala escura e úmida para morrerem de frio e de fome. Após duas semanas, Maximiliano e mais dois homens de porte físico forte, conseguiram sobreviver. Mas os nazistas aplicaram-lhes uma injeção letal para que se cumprisse a punição impingida a eles.

Foi beatificado em 17 de outubro, de 1971, pelo Papa Paulo VI e canonizado em 10 de outubro, de 1982, pelo Papa João Paulo II. Na cerimônia de canonização, esteve presente Francisco Gajowniczek testemunhando a coragem e o amor daquele que se ofereceu para morrer em seu lugar.

Santo Maximiliano Maria Kolbe é padroeiro dos eletricistas, dos dependentes químicos, das famílias, do rádio amador e dos esperantistas.

terça-feira, 11 de agosto de 2020

Santa Susana de Roma

Susana foi uma mártir italiana que viveu no século III de nossa Era. Morreu por se recusar a se casar com o sucessor do então imperador Diocleciano. Suzana era sobrinha do Imperador e ele a queria como nora para que o poder continuasse em sua família. Mas ela se recusou se mostrando uma cristã fervorosa. Renegou os deuses romanos e por isso, foi condenada à morte. 

No dia 11 de agosto, do ano  294, foi morta em sua própria casa, que mais tarde, se transformou numa igreja.

A esposa de Diocleciano, Serena, também era cristã mas não revelava abertamente a sua fé. Ela mandou que transportassem o corpo de Susana para o Cemitério de Santa Felicidade e sugeriu aos demais cristãos que começassem sua devoção à Susana. Na madrugada do dia seguinte à sua morte, o Papa Caio celebrou uma missa no mesmo local de seu martírio. 

Santa Susana de Roma é co-padroeira de Santiago de Compostela, junto com São Roque. É venerada na igreja católica e ortodoxa. Sua festa litúrgica acontece no dia 11 de agosto.


quarta-feira, 5 de agosto de 2020

Nossa Senhora das Neves

Segundo a história, um casal de idosos romanos pediu em oração à Nossa Senhora inspiração para que empregassem com sabedoria a sua fortuna. A resposta veio em sonho indicando que construíssem um templo num monte que estivesse coberto de neve.


No dia seguinte, Roma amanheceu com a notícia de um fenômeno inusitado. Em pleno verão, o Monte Esquilino estava coberto de neve. O casal que havia feito o pedido se dirigiu ao Papa Libério para contar-lhe o sonho. Todo o clero de Roma se dirigiu para o local a fim de ver com seus próprios olhos o milagre da neve.


Esse episódio aconteceu na noite do dia 4 para o dia 5 de agosto.


O Papa, então, autorizou a construção de uma igreja no local. E, que após erguida, recebeu o nome de Basílica de Santa Maria Maior. Ficou conhecida também como Nossa Senhora das Neves por causa do milagre da neve.

  

sábado, 25 de julho de 2020

São Cucufate


São Cucufate foi um mártir que viveu entre os séculos IV e V da Era Cristã. Ele nasceu em Scillium, província romana de Cartago, na época, e foi um grande divulgador do cristianismo. Seu nome tem origem fenícia e significa “o que brinca”.  Há também uma corrente que traz outro significado para este nome: “poupa”.

Segundo a história, ele era diácono da igreja cristã em Cartago e se mudou para Barcelona para evangelizar novos cristãos. Cucufate teria trabalhado como comerciante nessa cidade, enquanto pregava o cristianismo e batizava os convertidos. Pelos relatos, ele era um homem generoso para com os pobres e também costumava pregar o cristianismo ao lado de São Félix. Em uma dessa pregações, Cucufate, que estava em Ampúrias, foi preso devido às perseguições impostas aos cristãos pelo imperador romano Diocleciano.

Cucufate não renegou sua fé e foi condenado ao martírio. No entanto, após sofrer todo o tipo de tortura, foi degolado. Sua festa litúrgica é comemorada no dia 25 de julho.

quinta-feira, 23 de julho de 2020

Santa Brígida da Suécia


Santa Brígida era filha do rei da Suécia, uma família piedosa que teve vários de seus integrantes tornados santos católicos. Grande parte da fortuna real foi usada para construir mosteiros, hospitais e igrejas. A princesa Brígida, ou Brigite, nasceu em 1303, e desde cedo participava das obras de caridade. Quando jovem, foi dama de companhia de uma rainha chamada Bianca, da região de Namur, atual Bélgica, e por causa disso, frequentou o luxo e a riqueza. No entanto, não se deixou deslumbrar pelos requintes da realeza. Manteve-se fiel à sua fé e consciência cristã sem nunca se afastar da caridade. 

Aos 18 anos. Brígida se casou com um homem que, embora fosse um nobre, tinha uma vida de vícios e paixões desregrados. Com orações e sacrifícios, conseguiu convertê-lo ao cristianismo e junto com ele praticaram a caridade e a piedade com os mais necessitados. Tiveram oito filhos mas, infelizmente, um deles veio a falecer. O casal decidiu fazer uma peregrinação até o Santuário de Santiago de Compostela, na Espanha. No caminho de volta, seu marido adoeceu e Brígida ficou preocupada que ele fosse morrer. Ao dormir, ela teve uma revelação em sonho, por intermédio de São Dionísio, de que seu marido iria se recuperar. Ele realmente ficou curado e logo puderam voltar para casa. Mas Brígida sentiu que essa revelação era um chamado para que ela tivesse uma vida monástica. Decidiu ingressar no Mosteiro de Alvastra, onde um de seus filhos já vivia como monge. 

Anos depois, após a morte do seu marido, Brígida resolveu colocar em prática um sonho que tinha de fundar um mosteiro duplo com uma ala para os homens e outra para as mulheres. Seu sonho se realizou criando a Ordem do Santo Salvador e lá viveu durante muitos anos. 

Quando o mosteiro fundado por ela recebeu a aprovação oficial da Igreja, ela se mudou para Roma pois sabia que aquela conquista seria apenas o início da sua missão. Trabalhou durante vinte e quatro anos em Roma e construiu 78 mosteiros espalhados pela Europa. 

Santa Brígida da Suécia faleceu em 23 de julho de 1373 durante uma peregrinação à Terra Santa. Após sua morte, a Ordem do Santo Salvador passou a ser dirigida pela sua filha, Santa Catarina da Suécia. Foi canonizada apenas 18 anos após a sua morte e o culto a ela se espalhou rapidamente por todo o continente europeu.

terça-feira, 21 de julho de 2020

Santa Praxedes


Santa Praxedes era filha de São Pudêncio e irmã de Santa Pudenciana, São Donato e São Timóteo. Segundo a história, ela viveu no século II da Era Cristã, período este em que os cristãos sofriam com perseguições e mortes. As duas irmãs enterravam os corpos dos mártires e ajudavam seu pai na tarefa de converter e batizar muitos pagãos. 
São Pudencio, com a ajuda de um presbítero chamado Pastor, havia transformado sua casa numa igreja. Após a sua morte, Praxedes e Pudenciana, com o consentimento do Papa Pio I, continuaram o trabalho do pai.
Pouco tempo depois, Pudencia morre com 16 anos de idade e é enterrada ao lado de seu pai na Catacumba de  Priscila. Praxedes constroi uma outra igreja no terreno que fora de um de seus irmãos, também já falecido. 
Dois anos depois, houve nova perseguição contra os cristãos e apesar de Praxedes conseguir  esconder muitos deles durante um tempo, os legionários do reinado de Antonino Pio, foram avisados. Eles prenderam e mataram todos os que se diziam cristãos. Inclusive Praxedes, que nessa época tinha 20 anos de idade. O presbítero Pastor, a enterrou ao lado de seus familiares no cemitério de Santa Priscila.
No século V, as relíquias mortais das Santas foram levadas para a igreja que ela construiu e três séculos depois, o Papa Adriano I, mandou construir uma igreja em seu nome, sobre a estrutura anterior. No século IX, o Papa Pascoal I, ampliou e decorou a basílica, nomeando-a de Santa Prassede. 

sábado, 11 de julho de 2020

Papa Pio I


Nascido em Aquileia, na Itália, Pius Desposyni, foi o décimo Papa da Igreja Católica. Antes de se tornar o Papa Pio I, jejuou e orou durante três dias consecutivos pedindo a Deus para que os fiéis romanos fizessem uma boa escolha na eleição para o novo pontífice. E foi ele o escolhido. Em alguns registros históricos, o consideram um dos príncipes antigos aparentados com Jesus, devido a sua filiação.

O Papa Pio I atuou numa época em que o cristianismo ainda era primitivo e os cristãos sofriam muitas perseguições. Mesmo assim, lutou para consolidar a presença e a soberania do catolicismo. À época, Roma teve como imperadores Antonino Pio e Marco Aurélio. Eles eram romanos não convertidos ao cristianismo. Isso dificultava seu objetivo de consolidação cristã. Pio I também teve problemas com os judeus convertidos e com os hereges. Entre estes, estava Marcião, o criador de uma seita cristã que rejeitava o Antigo Testamento por considerá-lo ultrapassado. Os adeptos do marcionismo, como era chamada a seita religiosa, faziam oposição entre justiça e amor, lei e evangelho. E também defendiam visões mais espiritualizadas dos evangelhos.

O papado de Pio I, que se iniciou no ano 142 d.C., durou cerca de 12 anos. Acabou no ano 155, quando Pio I foi martirizado por degolamento aos 55 anos de idade. O Papa Pio I foi quem criou a tradição de celebrar a Páscoa aos domingos e também o responsável pela construção de uma das igrejas mais antigas de Roma, a de Santa Pudenziana. A festa litúrgica de Pio I acontece no dia 11 de julho.