Segundo a tradição da Irmandade, sua missão teve início em 5 de novembro de 1955, em um momento de profunda dor e fragilidade. Internado no Hospital da Aeronáutica, na Tijuca, Ubirair enfrentava um câncer e estava prestes a passar por uma traqueostomia. Naquele dia, conseguiu autorização para sair do hospital e foi até Copacabana, onde morava.
Sentindo fortes dores, caminhou pela Avenida Atlântica e parou próximo ao Edifício Alaska. Foi nesse local que encontrou Gilberto, um médium que lhe transmitiu uma mensagem espiritual. A entidade manifestada era SHIDHA, que lhe propôs a cura de sua enfermidade em troca do compromisso de cumprir uma missão: construir uma obra espiritualista no mundo dos encarnados.
Xazyr I aceitou. Naquela mesma noite, conduzido à praia, participou de um breve ritual com as águas do mar. Pouco tempo depois, a dor começou a desaparecer. Ainda de madrugada, ao esperar a condução, pronunciou espontaneamente as palavras que SHIDHA havia previsto: “como eu me sinto feliz”.
A partir desse acontecimento, Xazyr I iniciou uma longa jornada de estudos espirituais. Durante treze anos, percorreu diferentes tradições, religiões e filosofias, buscando compreender a essência comum que aproxima o ser humano da natureza cósmica de Deus. Estudou religiões monoteístas e politeístas, rituais, fundamentos místicos e caminhos diversos de espiritualidade, sempre em busca de uma síntese que expressasse a Verdade Eterna.
Em 8 de abril de 1968, após esse período de peregrinação e aprendizado, Xazyr I formulou as Normas Místicas e Rituais e fundou oficialmente a IEVE — Irmandade Espiritualista Verdade Eterna.
Anos depois, em 1991, já com a saúde debilitada, passou o Patriarcado vitalício para Xazyr III. No entanto, sua missão ainda não estava concluída. Segundo os ensinamentos da Irmandade, o Divino Mestre SHIDHA lhe revelou que ainda havia conhecimentos a transmitir. Foi então que Xazyr I intuiu a criação da Ordem da Coroa, concebida como uma etapa final de sua missão espiritual.
A trajetória de Xazyr I permanece, assim, associada à ideia de serviço, cura, compromisso e transmissão de conhecimento. Sua vida espiritual representa, para a IEVE, o chamado de um espírito que, diante da dor, assumiu uma missão maior: transformar a própria experiência em caminho de orientação para outros buscadores.








