Shiva, aqui, não é apenas um deus-personagem. É princípio cósmico: aquilo que dissolve para libertar. Enquanto outras celebrações marcam começos, Shivaratri marca o esvaziamento necessário para que algo verdadeiro possa nascer.
Tradicionalmente, a noite é atravessada em estado de atenção: jejum, mantras, meditação e vigília até o amanhecer. A escuridão não é vista como ameaça, mas como útero do real. É na noite que a mente se aquieta e o ruído perde autoridade.
O lingam, símbolo central do rito, não representa forma, mas origem. Não aponta para identidade — aponta para o indizível. Shivaratri lembra que a verdade não se afirma: se reconhece quando o excesso cai.
Chave simbólica do dia
-
Dissolução do ego
-
Silêncio consciente
-
Desapego radical
-
União entre vazio e presença
Prática simbólica
Escolha uma coisa que você insiste em sustentar — uma imagem, um papel, uma narrativa sobre si.
Nesta noite, não a combata. Apenas solte.
Shiva não ensina a acumular virtudes.
Ensina a remover o que não é essencial.
Na Maha Shivaratri, não se pede algo novo.
Permite-se que o falso termine.

Nenhum comentário:
Postar um comentário