segunda-feira, 2 de fevereiro de 2026

Iemanjá e o que o mar devolve

Iemanjá costuma ser lembrada como a mãe acolhedora, a senhora das águas salgadas que recebe flores, pedidos e lágrimas. Mas há um aspecto menos romantizado — e profundamente verdadeiro — dessa divindade: Iemanjá não guarda o que não é seu. Ela recebe, transforma e devolve.

No simbolismo ancestral, o mar não é apenas útero. É também fronteira. Tudo o que é lançado às águas passa por um julgamento silencioso: o que pertence ao ciclo da vida é dissolvido; o que precisa ser encarado retorna à margem.

Por isso, Iemanjá não representa apenas acolhimento emocional, mas maturidade afetiva. Ela ensina limites. Ensina que amar não é reter, que cuidar não é aprisionar e que nem todo pedido deve ser atendido da forma esperada.

No dia 2 de fevereiro, o arquétipo de Iemanjá convida a uma pergunta menos confortável e mais honesta:
o que você está oferecendo esperando controle, retorno ou validação?

Espiritualmente, este é um dia poderoso para entregar excessos — não só dores, mas dependências emocionais, vínculos desgastados e expectativas irreais. O mar leva, mas também devolve em forma de clareza.

Iemanjá rege a memória emocional profunda, aquela que não se resolve com palavras, apenas com tempo e verdade. Por isso, sua força não está no consolo imediato, mas na capacidade de reorganizar o sentir.

Quem escuta Iemanjá entende:
nem tudo que vai embora é perda.
às vezes, é alívio.

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