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sexta-feira, 1 de maio de 2026

Cordélia, entre o mito e a verdade

Cordélia é uma figura curiosa. Ela não nasce como deusa, nasce como personagem e, ainda assim, atravessa o tempo sendo tratada como algo maior.

Entre o neopaganismo moderno e a literatura clássica, ela ocupa um lugar intermediário: não é exatamente mito, mas também não é apenas ficção.

Na obra de William Shakespeare, Cordélia é a filha que não exagera.

Enquanto suas irmãs usam palavras infladas para conquistar o rei, ela responde com simplicidade. Sem performance. Sem teatro.

E por isso, é rejeitada.

Esse é o núcleo do arquétipo:
a verdade que não se vende — e por isso incomoda.

No neopaganismo moderno, especialmente em releituras de matriz celta, Cordélia começa a ser associada à figura de Creiddylad — uma personagem da tradição galesa ligada à primavera e ao florescimento.

Aqui acontece algo importante: reconstrução simbólica.

Cordélia passa então a representar: renovação emocional, florescimento interno e abertura para o amor e para o ciclo da vida

Muitas vezes associada a Beltane (1º de maio), ela surge como uma energia suave, ligada à beleza e à transição.

A Cordélia de Shakespeare e a Cordélia neopagã parecem diferentes — mas se encontram em um ponto: ambas representam autenticidade.

Uma, pela recusa em fingir, outra, pelo florescimento natural

Nos dois casos, não há esforço para agradar. Há coerência.

Cordélia é um arquétipo contemporâneo, que dialoga com tradições, mas não depende delas para existir. Ela não precisa ser uma deusa para ter poder. Ela é mais incômoda que isso. O que a sua figura nos leva a perguntar é se estamos sendo verdadeiros em nossas relações ou se estamos querendo só ser convincentes.

quarta-feira, 29 de abril de 2026

Inanna - Deusa Suméria

Inana (ou Inanna) é a principal deusa suméria do amor, sexualidade, fertilidade e guerra, reverenciada como "Rainha do Céu". Associada ao planeta Vênus e à cidade de Uruque, ela simboliza o poder feminino, a dualidade entre amor e fúria, e a renovação da vida. Mais tarde, foi associada à deusa acádia Istar. 

Os principais aspectos da deusa:

Deusa Complexa: Representava tanto o amor erótico e a fertilidade quanto a ferocidade da guerra e da batalha.

Rainha do Céu: Centrada no templo Eana em Uruque, era a divindade mais venerada na Suméria.

Símbolos e Arquétipo: Frequentemente representada com leões e estrelas de oito pontas. É descrita como uma divindade jovem, caprichosa e poderosa.

Mitos Importantes: O mais famoso é a "Descida de Inana ao Submundo", onde ela morre e ressuscita, simbolizando os ciclos de morte e renascimento.

Identidade: Embora tenha origens sumérias, foi fundida com a deusa acádia Istar, tornando-se uma figura central em toda a Mesopotâmia.

Aspectos Sociais: Protetora de amantes, poetas e, por vezes, associada à mudança de gênero e identidades não binárias na antiguidade. 

A deusa Inana representa a força da natureza em sua capacidade de criar e destruir, sendo uma figura divina multifacetada e de grande poder.

domingo, 26 de abril de 2026

Mami Wata e o chamado das águas profundas

Mami Wata é uma das figuras espirituais mais fascinantes das tradições africanas e afro-diaspóricas. Seu nome, que pode ser traduzido como “Mãe das Águas”, atravessa culturas da África Ocidental, Central e do Caribe, assumindo diferentes formas — ora sereia, ora mulher de beleza hipnotizante, muitas vezes acompanhada por serpentes, símbolo de poder e transformação.

Mas reduzir Mami Wata a uma “sereia mística” é superficial. Ela representa algo mais profundo: o encontro entre desejo, mistério e poder espiritual.

Mami Wata não é apenas bela — ela é magnética. Sua presença está ligada ao fascínio que atrai, envolve e transforma. Nos relatos tradicionais, ela pode aparecer em sonhos, visões ou encontros inesperados, oferecendo prosperidade, cura ou conhecimento… mas sempre exigindo algo em troca.

Aqui está o ponto que muitos ignoram: não existe relação com essa energia sem troca. Mami Wata simboliza exatamente isso — o equilíbrio entre o que se deseja e o que se está disposto a entregar.

A água, em praticamente todas as tradições espirituais, representa passagem, emoção e inconsciente. No caso de Mami Wata, ela é o próprio portal.

Rios, mares e lagos não são apenas cenários — são territórios de conexão espiritual. É ali que o invisível se manifesta com mais força. Por isso, oferendas, rituais e práticas ligadas a Mami Wata frequentemente envolvem água corrente ou o mar.

Mas cuidado com interpretações simplistas: não se trata de “cultuar a água”, e sim de compreender a água como meio de transição entre planos.

Mami Wata também está associada à prosperidade material e à cura espiritual. Muitos relatos falam de pessoas que, após experiências com essa entidade, alcançaram sucesso financeiro ou dons mediúnicos mais intensos.

Só que existe um contraponto claro: o excesso.

A energia de Mami Wata pode levar ao desequilíbrio quando mal compreendida — obsessões, ilusões, dependência emocional ou material. É a mesma força que cura, podendo também confundir.

Mais do que uma entidade externa, Mami Wata pode ser entendida como um espelho interno:

  • Seus desejos mais profundos
  • Seu relacionamento com prazer e poder
  • Sua capacidade de lidar com o desconhecido

Mami Wata representa uma força ancestral que lida com desejo, troca e transformação.

o que dentro de você responde ao chamado das águas?

sexta-feira, 6 de março de 2026

Enyo e a Guerra Necessária

Na mitologia grega, Enyo caminha ao lado do conflito.

Não há registro histórico de 6 de março como data oficial dedicada a ela. Ainda assim, março carrega energia de ruptura — e Enyo representa o momento em que algo precisa ser confrontado.

Companheira de Ares, ela não simboliza estratégia refinada ou diplomacia. Simboliza impacto.

Enyo representa a força que rompe ilusões, a coragem de atravessar o caos e a destruição que antecede a reorganização.

Com ela lembramos que nem toda guerra é externa. Algumas acontecem dentro como limites que precisam ser estabelecidos, ciclos que precisam ser encerrados e medos que precisam ser enfrentados.

Enyo não surge para provocar conflito gratuito. Ela surge quando a complacência já não sustenta.

Hoje, a reflexão é direta:

O que em sua vida exige posicionamento?
Qual batalha você está evitando por medo do impacto?

Nem toda destruição é fracasso. Algumas são libertação.

A guerra necessária não é sobre violência, mas sobre coragem.


sábado, 28 de fevereiro de 2026

Zamyaz, a Mãe da Terra

Zamyaz, também conhecida como Žemyna, é uma antiga deusa da tradição báltica, venerada especialmente na Lituânia e em regiões da antiga Prússia e Letônia. Seu nome deriva da palavra que significa “terra”, e ela é considerada a personificação sagrada do solo fértil, da nutrição e da vida que brota do mundo natural.

Diferente de divindades com datas fixas, Žemyna era honrada conforme os ciclos agrícolas. O culto não seguia um calendário rígido, mas sim os momentos em que a terra mudava de estado: despertar, plantar, crescer e colher.

O período de fim de fevereiro possui um significado simbólico importante.

No hemisfério norte, final do inverno, solo ainda frio, mas próximo do despertar, é o momento de preparação, silêncio e expectativa pela fertilidade da primavera.

No hemisfério sul, final do verão, período de maturação e abundância, é tempo de gratidão pelos frutos, nutrição e estabilidade da terra.

Embora não seja uma data tradicional específica, o fim de fevereiro marca um limiar entre ciclos: no Norte, transição entre a dormência do inverso e o renascimento da primavera; no Sul, passagem do auge da fertilidade do verão para o início do recolhimento do outono.

Por isso, o dia pode ser visto como um momento simbólico para honrar a terra que sustenta, refletir sobre os ciclos naturais e para praticar gratidão pelo alimento e pela estabilidade material.

Na tradição popular, acreditava-se que tudo o que nasce e cresce é fruto de sua generosidade, e que respeitar a terra era uma forma de honrar a própria divindade.

O culto a Žemyna era profundamente ligado ao cotidiano. Ela não era adorada em grandes templos, mas diretamente na terra, nas casas e nos campos.

Historicamente, os rituais eram domésticos e diretos:

  • Derramar algumas gotas de bebida no chão antes de beber, como oferenda
  • Agradecer à terra antes do plantio
  • Evitar ferir o solo de forma desnecessária
  • Rituais domésticos para proteção e prosperidade

Žemyna representa a base que sustenta a vida e ensina que toda transformação começa no solo — no escuro, no úmido, no invisível — até romper a superfície e florescer.

Reflexão para o dia:
O que em sua vida precisa de tempo, silêncio e cuidado para crescer?

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2026

Afrodite e o poder de desejar

Afrodite costuma ser reduzida ao amor romântico, à beleza idealizada ou ao erotismo superficial. Mas, no campo simbólico profundo, Afrodite rege algo muito mais radical: o poder de desejar sem culpa.

Na mitologia, ela nasce do mar — não como fruto de um ventre, mas como manifestação espontânea da força criadora. Afrodite não pede permissão para existir. Ela emerge. Sua origem fala de um princípio essencial: o desejo não é aprendido, ele é lembrado.

Afrodite governa tudo o que nos move em direção à vida: atração, prazer, criação, magnetismo, escolha. Não apenas o desejo por alguém, mas o desejo por uma ideia, por um caminho, por uma experiência que faz sentido para a alma. Onde não há desejo verdadeiro, há repetição vazia.

Por isso, Afrodite também é desconfortável. Ela expõe contradições, desmonta moralismos artificiais e revela onde estamos vivendo no automático. Ela pergunta, sem suavizar:
o que você quer — de verdade?

No dia 6 de fevereiro, a energia de Afrodite favorece reconexões com o corpo, com a sensibilidade e com aquilo que desperta alegria genuína. Não se trata de excessos, mas de honestidade. Afrodite não é descontrole; é coerência entre sentir e agir.

Espiritualmente, Afrodite ensina que negar o desejo não nos torna elevados — apenas nos torna divididos. O desejo consciente não aprisiona, ele orienta. Ele mostra onde há vida pulsando e onde há apenas medo disfarçado de virtude.

Afrodite não promete estabilidade.
Ela oferece verdade.
E toda verdade tem poder de transformação.

quarta-feira, 11 de junho de 2025

Maanemo, Senhora da Memória e do Silêncio

A deusa Maanemo, também conhecida como Mana ou Mana-Nua, é uma divindade ancestral ligada à lua, ao tempo cíclico, à memória coletiva e ao oceano primordial — cultuada sob diversos nomes em tradições mesopotâmicas e micronésias. O nome dela ecoa como um sussurro da noite, uma força que guarda os mistérios do feminino profundo.

Maanemo, tece o tempo com fios invisíveis, guardando os sonhos esquecidos, os ciclos da alma e os segredos do mar noturno.

Maanemo vive nas marés, nas fases da lua, nas palavras não ditas — e naquilo que só o coração escuta.

Ela é o ventre escuro que antecede o renascimento.
É a noite que embala o futuro.
É a lembrança do que fomos antes de sermos carne.

Neste 11 de junho, honre o mistério.
Apague as luzes.
Acenda uma vela prateada.
Toque a água com reverência.

E diga:

“Maanemo, senhora das águas e dos véus,
guarda minha essência,
revela-me o que é meu por destino,
e leva embora o que já não vibra em mim.”

Ela não responde com palavras.
Ela responde com sonhos.

domingo, 8 de junho de 2025

Festival dos Grãos: A Colheita de Kuan Yin

Nesse período é celebrado o Festival dos Grãos, na China, representando o ciclo da vida.

O Festival dos Grãos, é um evento que honra Kuan Yin, a deusa da misericórdia, da maternidade universal e da compaixão infinita.

Kuan Yin não é apenas uma deusa — ela é um princípio cósmico de cuidado, que escuta todos os clamores e rega com ternura as sementes do mundo.

Na China antiga, este dia marcava a proteção das colheitas, o cuidado com os alimentos, e também a renovação da esperança. Era costume oferecer arroz, feijão, chá e flores aos pés de sua imagem, como gesto de gratidão pela nutrição da Terra e do espírito.

Quem é Kuan Yin?

  • A “Aquela que Ouve os Lamentos do Mundo”
  • Representação divina da energia feminina compassiva
  • Guardiã dos ciclos da fertilidade, do perdão e da nutrição espiritual

Ritual de Kuan Yin para este dia:

  1. Prepare um pequeno altar com um punhado de grãos (arroz, lentilha, cevada).
  2. Acenda um incenso ou vela branca.
  3. Em silêncio, repita:

“Kuan Yin, mãe dos que sofrem, abençoa minha colheita interior. Que eu saiba nutrir sem exigir, e oferecer sem esperar.”

  1. Depois, enterre os grãos na terra — como oferenda de volta ao ciclo sagrado.

Reflita:

  • O que você tem alimentado em sua vida?
  • Há algo que precisa de compaixão dentro de você?

Kuan Yin nos lembra que o alimento mais essencial é o olhar que acolhe —
e que toda colheita começa com um gesto silencioso de cuidado.

sábado, 7 de junho de 2025

Haltia, a Guardiã Invisível do Lar e da Floresta

Em silêncio, mas com presença intensa, Haltia caminha entre as árvores e assiste pelas janelas.

Ela é a deusa báltica dos lares e dos bosques, espírito ancestral que protege casas, campos, fogões e florestas.

Haltia é a alma da casa viva, aquela que mantém o fogo aceso e espanta o que perturba. Ela se manifesta como uma figura feminina sábia, às vezes invisível, às vezes como animal sagrado — uma ave, uma raposa, ou o sussurro do vento no telhado.

Quem é Haltia?

  • Protetora dos lares sagrados e dos limiares
  • Guardiã das tradições domésticas, da harmonia familiar e dos espíritos da floresta
  • Ela não exige oferendas, mas respeito, ordem e gratidão

Na Finlândia e Estônia, acreditava-se que toda casa, rio, floresta ou celeiro tinha sua própria Haltia — e que ela partia se o local fosse negligenciado.

Ritual de honra à Haltia:

  1. Limpe um cômodo de sua casa com intenção espiritual.
  2. Acenda um incenso ou queime ervas como zimbro ou pinheiro.
  3. Em voz baixa, diga:

“Haltia, espírito da casa e da mata, que tua sabedoria more entre estas paredes. Que o lar seja abrigo, e a floresta, templo.”

  1. Deixe um pequeno pão, grão ou fruta num cantinho da casa ou aos pés de uma árvore.

Reflita:

  • O que você precisa rearmonizar no seu lar interior?
  • Como você pode cuidar melhor da casa que te abriga e da natureza que te cerca?

Haltia vive onde há cuidado e silêncio. Ela não grita. Ela observa. E onde ela mora, o lar floresce.

quinta-feira, 5 de junho de 2025

Domnia, Guardiã dos Portais de Pedra e da Memória da Terra

Hoje celebramos Domnia, a deusa celta silenciosa e imensa como as pedras que protege. Ela é padroeira dos menires e dólmens, estruturas megalíticas que resistem ao tempo — portais entre mundos, entre vivos e ancestrais, entre matéria e espírito.

Domnia é a senhora dos pilares da Terra, guardiã das energias telúricas, dos lugares sagrados onde a pedra toca o céu e a alma toca a eternidade.

Quem é Domnia?

  • Protetora dos lugares antigos, onde os druidas meditam e os espíritos sussurram
  • Guardiã da memória espiritual do planeta, inscrita nas rochas e alinhamentos cósmicos
  • Presença firme e silenciosa, que ensina o poder da estabilidade e profundidade

Ritual para honrar Domnia:

  1. Vá até uma pedra grande, natural ou simbólica, e coloque a mão sobre ela.
  2. Em silêncio, respire profundamente e diga:

“Domnia, guardiã da rocha e do tempo, firma meus pés na Terra e minha alma no invisível. Que eu seja pedra onde for necessário resistir, e portal onde for preciso transcender.”

  1. Se quiser, deixe uma oferenda: um punhado de sal, uma flor, ou algumas sementes.

Reflita:

  • Quais são os “menires” dentro de você? O que te sustenta há milênios?
  • Que portais você precisa atravessar com coragem ancestral?

Domnia nos lembra que o tempo não apaga o que é sagrado — ele revela.
E que há uma força silenciosa, mineral, que pulsa debaixo de nossos pés.

quarta-feira, 4 de junho de 2025

Danu, a Deusa Ancestral do Mistério e da Criação

Hoje, sob os véus da névoa celta, honramos Danu, a mãe primordial dos deuses e deusas irlandeses, a fonte que gerou a linhagem dos Tuatha Dé Danann — o povo da deusa. Seres que habitavam entre mundos, com sabedoria, magia e luz.

Danu não tem rosto definido. Ela é o próprio fluxo da vida, a fertilidade da terra, o sopro do vento, o curso dos rios. Ela não precisa ser vista — precisa ser sentida.

Quem é Danu?

A deusa do conhecimento intuitivo e da natureza sagrada.
Senhora dos rios, das águas profundas e das terras férteis.
Mãe dos espíritos antigos, guardiã das tradições, e da força silenciosa que conduz destinos.

Ritual simples para honrar Danu:

- Vá até um caminho de terra ou toque a água (rio, mar, até mesmo uma bacia com água limpa).

- Segure um cristal (quartzo verde ou transparente) e diga:

  “Danu, mãe das águas e dos ventos, abençoa meus passos e minha intuição. Que tua sabedoria flua em mim como o rio que retorna ao mar.”

- Enterre o cristal por um dia na terra ou deixe-o na água — devolvendo parte da energia à Mãe.

Reflita:

  • Quais ancestrais espirituais te guiam?
  • Como você pode se reconectar com as forças da natureza que silenciosamente te protegem?

Danu não grita. Ela sussurra. E quem escuta seus sussurros se torna guardião de uma sabedoria muito antiga.

terça-feira, 3 de junho de 2025

Bellona, Deusa Guerreira que Marcha com Fúria e Propósito

Não é Marte quem lidera a guerra — é Bellona quem a anuncia. Com olhos em chamas e cabelos soltos ao vento, ela avança antes de qualquer exército. É a grande amazona, a centelha que desperta a coragem e o grito de quem não aceita ser domado.

Bellona é a personificação do poder indomável. Ela não pede licença. Ela invade — quando o que está em jogo é a verdade da alma.

Na Roma Antiga, era evocada antes das batalhas. Seu templo tinha um altar onde os generais cravavam lanças no chão como pedido de força e proteção. Bellona respondia com fúria sagrada.

Quando se conectar com Bellona?

  • Quando você precisa romper padrões que te aprisionam.
  • Quando a vida pede luta com honra, e não silêncio com medo.
  • Quando você decide defender seu território energético, emocional, espiritual.

Ritual de Bellona:

  1. Vista vermelho ou preto.
  2. Acenda uma vela vermelha e desenhe um círculo ao redor com sal grosso.
  3. Em voz firme, declare:

"Eu sou filha da força.
Marcho com Bellona.
Minha espada é a verdade,
meu escudo é minha fé.”

Reflita:

  • O que você tem medo de enfrentar?
  • O que dentro de você está pronto para guerrear por si?

Bellona não busca conflito. Ela busca propósito.
Sua guerra não é por vaidade — é por integridade.

segunda-feira, 2 de junho de 2025

Cardea, Guardiã das Portas e da Vida Doméstica

Hoje homenageamos Cardea, a deusa romana dos umbrais, das trancas e da proteção do lar. Sua presença é sutil, mas poderosa — ela reina nos limiares, nas portas entre o dentro e o fora, entre o conhecido e o mistério.

Cardea nos lembra que todo começo exige um cuidado com os portais que atravessamos. Não só os físicos, mas os emocionais, espirituais, relacionais. Cada vez que abrimos ou fechamos algo em nossa vida, ela está presente.

Trancar não é reprimir — é proteger.
Abrir não é se perder — é permitir-se.

No mundo antigo, ela era invocada para proteger o lar contra influências negativas. Hoje, podemos invocá-la para blindar nossa casa e nossa energia.

Ritual para o dia de Cardea:

  1. Coloque um galhinho de carvalho ou alecrim próximo à porta de entrada.
  2. Acenda uma vela branca e diga em voz alta:

“Cardea, senhora dos umbrais, que teu olhar vigie minha casa. Que só entre o bem. Que o mal não encontre chave.”

  1. Feche os olhos e visualize sua casa envolta em luz.

Reflita:

  • Quais portas você precisa fechar para se proteger?
  • Quais trancas precisa abrir para crescer?

Honre sua casa interior e exterior. O lar é sagrado — e Cardea nos ensina que a verdadeira magia começa onde repousamos a cabeça.

sábado, 31 de maio de 2025

Basihea, a deusa dos ventos

Antes das palavras, havia o ventre da terra. E nela, morava Basihea.

Entre os bosques e montanhas da antiga Gália, o povo Averni celebrava, neste dia, a deusa que criava os pássaros e protegia os viajantes:

Basihea, também chamada Bakeaki — a que vê de cima, a que canta com o vento, a que conhece os caminhos que o corpo e a mente ainda não trilharam.

Hoje, quase ninguém fala seu nome. Mas ela ainda vive nas nuvens em movimento. Nos pássaros que mudam de direção no meio do voo. Na intuição que te alerta sem explicação.

Basihea, era uma deusa celeste, símbolo de:

- visão expandida
- proteção em jornadas incertas
- criação espontânea e liberdade sagrada
- guardiã dos segredos que o vento carrega — e só entrega a quem escuta.

Para os Averni, viajar era sagrado — e não só pelo mundo — , mas pela mente, pelos sonhos, pelos pensamentos que cruzam o invisível.

Hoje, se quiser pedir clareza, direção ou revelação, experimente:

  1. Acenda um incenso suave (lavanda, cedro ou capim-limão).
  2. Feche os olhos e diga em voz baixa:
    “Basihea, senhora dos ventos e dos céus,
    revela o que preciso saber.
    Mostra o que meu olhar ainda não alcança.”
  3. Depois, abra uma página de um livro aleatório, tire uma carta, ou apenas escute o que vier.
    O segredo pode chegar de forma sútil. E é assim que ela gosta de falar.

Para reflexão:

  • Tenho me permitido mudar de rota, como os pássaros?
  • Qual é a viagem mais urgente dentro de mim agora?
  • O que estou pronta(o) para saber, mas ainda não tive coragem de perguntar ao céu?

Lembre-se de que Basihea não prende. Ela guia. E quando você pede revelação com o coração aberto, ela sopra asas na sua intuição.

segunda-feira, 5 de agosto de 2024

Shekinah

Shekinah é o aspecto feminino de Deus. É a força interior que modela e sustenta toda a criação. É a mulher pássaro, a senhora dos dragões, a rainha do céu e a entrada dos caminhos. 

Shekinah é a mãe do mundo espiritual, a estrela da manhã e da noite. É a aurora e também o anoitecer. É a princesa dos mares, a árvore da vida, a lua prateada e o sol flamejante. 

Shekinah é a deusa antiga hebraica e da civilização sumeriana. Tem uma contrapartida obscura que seria Lilith, criatura da noite. 

Shekinah, quer dizer habitar, fazer morada. 

Imagem: Vaynakh

domingo, 10 de novembro de 2013

Dia do Trigo.

O Trigo é uma gramínia cultivada no mundo todo. É a segunda maior cultura de cereais, depois do milho. A terceira cultura é o arroz. 
 
O grão do trigo é usado para fazer farinha, que por sua vez, é usada na fabricação do pão, na alimentação de animais domésticos e também como um dos ingredientes para a fabricação da cerveja.
De acordo com a mitologia, o nome cereal vem de Ceres, a deusa romana da agricultura. O equivalente para os gregos é Démeter. Nas personificações desta Deusa, ramos de trigo estão sempre presentes. Ele também é um ingrediente indispensável da cerealia, uma celebração romana antiga que homenageava Ceres com três dias festivos, pela fartura da colheita. Nos banquetes, os alimentos eram feitos à base de trigo. 

Em outras culturas de povos antigos, como os babilônios, os sumérios e os judeus, o alimento principal também era à base de trigo.  

Diz-se que os primeiros grãos colhidos eram oferecidos aos deuses demonstrando gratidão. Ato que possivelmente teria originado a prática do dízimo em algumas religiões.

sábado, 5 de janeiro de 2013

Tsai Shen, Divindade da Fortuna.


No início de janeiro comemora-se Tsai Shen, divindade chinesa da riqueza. Como a maior riqueza dos orientais é a saúde, costumava-se invocá-la para atender pedidos de boa saúde.
As oferendas para esta divindade contam com peixe e vinho colocados na frente de suas imagens.
De acordo com a mitologia, os símbolos relacionados a Tsai Shen são o sapo com três pernas, uma caixinha do tesouro onde morava o Espírito da Fortuna, Ho Ho Er Hsine, o morcego e os lingotes de ouro.
Para atrair essa energia de riqueza, coloque algum desses símbolos ao lado de uma vela e moedas com essência do seu signo. Reflita qual o seu bem de maior riqueza e procure visualizar uma caixa de tesouros sendo aberta por essa divindade e o Espírito da Fortuna lhe encaminhando seu desejo.

segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

Dia de Bona Dea.

Hoje é dia da Deusa romana Bona Dea, a Deusa da Bondade.

Bona Dea personifica a Terra e sua fertilidade. Seu nome original era “ A Boa Deusa”, que representava a deusa Fauna em seu aspecto de mãe da Terra e deusa da abundância. Com o tempo seu nome passou a designar apenas a Mãe Terra.

Saiba mais sobre essa Deusa no Festival em sua homenagem, que acontece no mês de maio.

Uma frase para o dia de hoje é: “quando nada acontece, há um milagre que não estamos vendo.”

Portanto, não desanime!

sexta-feira, 16 de novembro de 2012

Tlachtga.

Hoje celebrava-se Tlachtga, deusa celta da magia e senhora dos raios. Era padroeira das revelações súbitas.

Tlachtga era filha de Ruith, um druida irlandês, e costumava acompanhar seu pai em suas viagens pelo mundo onde aprendeu os segredos da magia.

Na Itália descobriu o poder das pedras sagradas retornando à Irlanda quando ficou grávida.

Deu à luz trigêmeos numa colina que ficou conhecida com seu nome e também onde clebravam-se os Sabbats de Samhain.

segunda-feira, 1 de outubro de 2012

Outubro Wicca.

Outubro, o oitavo mês do ano no calendário romano, é consagrado à deusa Astreia, filha de Zeus e Têmis, que vivia entre os homens durante a Era de Ouro. 

 O último dia de outubro, o Halloween, é o primeiro dia regido pela deusa Samhain. 

O Festival Samhain começa no pôr do sol no dia 31 de outubro, o Ano-Novo da tradição celta. 

Por tradição, essa é a época das primeiras geadas e da última colheita. 

A pedra natal deste mês é a Opala. 

(Almanaque Wicca – 2012)