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domingo, 5 de abril de 2026

Domingo de Páscoa: o ponto de virada invisível

O Domingo de Páscoa marca, dentro da tradição cristã, o momento da ressurreição de Jesus Cristo — não apenas como um evento histórico ou religioso, mas como um símbolo profundo de transição, renovação e recomeço.

Depois do silêncio do sábado, da pausa, da espera e da aparente ausência de sentido, a Páscoa surge como ruptura. É o instante em que a morte deixa de ser fim e passa a ser passagem. O que parecia encerrado se revela apenas transformado.

No campo simbólico e espiritual, esse domingo representa:

- Renascimento — ciclos que se encerram para dar lugar ao novo
- Restauração — aquilo que foi ferido encontra possibilidade de cura
- Luz após a travessia — não como negação da dor, mas como consequência dela
- Consciência ampliada — a compreensão de que há algo além do imediato

A ressurreição, nesse sentido, não precisa ser vista apenas como um acontecimento externo. Ela ecoa internamente. Fala sobre tudo aquilo que, dentro de cada um, pode ser reerguido depois de um período de queda, dúvida ou escuridão.

A Páscoa não ignora o sofrimento vivido antes dela. Ao contrário: ela só existe por causa dele. É justamente essa travessia que dá sentido ao renascimento.

No ritmo do mundo atual, onde tudo exige rapidez e respostas imediatas, o Domingo de Páscoa propõe outro tipo de tempo: o tempo da transformação silenciosa. Nem sempre visível, nem sempre compreendida no momento em que acontece.

É um convite a observar o que, na própria vida, já morreu — hábitos, pensamentos, ciclos — e o que começa, ainda que discretamente, a nascer no lugar.

Porque, no fundo, a Páscoa não é apenas sobre voltar à vida.
É sobre voltar diferente.

quarta-feira, 22 de julho de 2020

Madalena, Discípula de Jesus


A história de Maria Madalena (Magdala) ainda é um mistério para muitos pesquisadores. Santa, pecadora, esposa de Jesus, ou apóstola deste, talvez nunca saibamos. Mas a verdade é que essa mulher esteve muita próxima a Jesus durante os anos de sua pregação. 

Segundo a Bíblia, a maior parte do ministério de Jesus foi às margens do Mar da Galileia. E Magdala, era uma das cidades que ficavam nas costas desse mar. Pesquisas recentes demonstram que Magdala era um lugar consideravelmente rico à época de Cristo. Foram encontrados vestígios de um porto, casas grandes, sinagoga e objetos suntuosos. Se Maria Madalena era moradora dela, também poderia ter sido uma mulher rica e influente.

No século 2, foi inserida no Talmud a ideia de que Maria Madalena seria Maria Megaddleda, que significa “a que carrega cabelos trançados”. Esta versão seria usada para indicar mulheres de comportamento impróprio ou de má reputação.

A noção de que Maria de Madalena fosse pecadora aparece na Idade Média, com o Papa Gregório Magno. Durante um de seus sermões, o Papa tentava convencer os fiéis de que o arrependimento era necessário para a remissão dos pecados, citando Maria Madalena como exemplo para isso.

Mas no ano de 1945, uma descoberta trouxe novo olhar a respeito de quem realmente foi Maria Madalena. Foram encontrados em Nag Hammadi, no Egito, manuscritos de evangelhos gnósticos do século IV que teriam desaparecido por serem considerados apócrifos. O conteúdo desses manuscritos revela uma estreita relação entre Jesus e Madalena e que incomodava os apóstolos. Há um trecho em que Pedro pergunta ao mestre porque há “segredos que só a ela revela”. E Pedro ainda faz um pedido ao seu mestre: “Que Maria saia de entre nós, porque as mulheres não são dignas”. 

Em 1969, a Igreja Católica Romana deixou de reconhecer Maria Madalena como uma mulher impura e decretou que ela seria venerada como um discípulo de Jesus.

Santa, pecadora, discípula ou esposa, Maria Madalena foi uma das seguidoras mais dedicadas de Jesus. Não podemos esquecer que foi ela quem se dirigiu ao sepulcro para ungir o corpo do mestre. Tarefa esta que era dada só a parentes muito próximos. Fica a pergunta do por que não foi Maria, mãe de Jesus, ao invés de Madalena designada a ungir o corpo do Nazareno? E também, foi primeiro à Maria Madalena que Jesus apareceu depois de morto e recebendo a incumbência de espalhar o milagre da ressurreição. Não foi nem à sua mãe ou a um de seus discípulos.   

A festa litúrgica de Santa Maria Madalena é celebrada no dia 22 de julho. É considerada padroeira dos arrependidos, dos boticários e dos cabeleireiros.