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sexta-feira, 16 de maio de 2025

A sabedoria invisível dos garis

No dia 16 de maio, celebramos aqueles que cuidam do que quase ninguém vê: os garis. 

Com vassouras, pás e sorrisos, eles limpam a cidade — mas o que fazem vai muito além do que os olhos alcançam.

Enquanto retiram a sujeira das ruas, liberam caminhos, desfazem pesos, fazem circular o que estava estagnado. Não seria esse também um trabalho espiritual?

O gari nos ensina sobre humildade, serviço, presença. Sobre fazer o necessário sem aplausos, com dignidade e ritmo. Nos lembra que a limpeza é um ato sagrado — dentro e fora de nós.

Para ilustrar esse dia, trago uma pintura do meu saudoso pai, Lielzo F. de Azambuja, em “A Passeata da Alegria” — onde o clássico se mistura ao popular, e a arte reconhece a alma dos que trabalham com luz. 

Na imagem, o inesquecível Gari Sorriso com Marcelle Lender Dançando o Bolero em Chilpéricde Henri Toulouse de Lautrec.

Que possamos, como os garis, aprender a varrer não só as ruas, mas também o que não nos serve mais: mágoas, excessos, pensamentos repetitivos, ilusões antigas. Pois a verdadeira limpeza começa dentro de nós.

Feliz Dia do Gari, com reverência e consciência.

segunda-feira, 17 de março de 2014

A Exposição de Van Gogh.

Em 1901, a 17 de março, realizava-se a primeira exibição de 71 quadros do artista Vincent Van Gogh. A exposição, que causou grande sensação, aconteceu em Paris, onze anos após a sua morte.
Van Gogh nasceu em 30 de março 1853 e morreu em 29 de julho de 1890. É considerado um dos pioneiros na ligação das tendências impressionistas com as aspirações modernistas. Teve uma vida difícil, não conseguiu constituir família e nem custear sua própria subsistência. Morreu aos 37 anos sucumbido por uma doença mental.
Sua fama cresceu após a exibição de suas telas. Dentre elas, as famosas A Noite Estrelada, Girassóis e A Ponte Debaixo da Chuva.

terça-feira, 4 de março de 2014

O Lago dos Cisnes.


Nesse mesmo dia, em 1877, acontecia a estreia do balé O Lago dos Cisnes, no Teatro Bolshoi em Moscou. Mas a apresentação foi um fracasso por causa da má interpretação da orquestra e dos bailarinos, da coreografia e da cenografia. A música, no entanto, composta pelo russo Tchaikovsky não estava entre as críticas.
O Lago dos Cisnes é um bale dramático, de 4 atos, que conta a história de amor entre o Príncipe Siegfried e Odette, princesa dos cisnes. No primeiro, a rainha presenteia o filho Siegfried com um baile para que ele escolha dentre as convidadas aquela que será sua esposa. A escolha deve ser anunciada no dia seguinte. Quando a festa acaba, e os convidados saem do castelo, um grupo de cisnes brancos passam perto do local. Siegfried se encanta com a beleza das aves e decide caçá-las.
No segundo ato, vemos o lago do bosque cujas margens pertencem ao reino do mago Rothbart. É lá que estão a princesa Odette e suas donzelas também transformadas em cisnes pelo mago. Só à noite, elas podem recuperar a aparência humana. No entanto, a princesa só será libertada deste feitiço por um homem cujo amor a ela seja verdadeiro. Siegfried, encantado por Odette, jura que será ele a quebrar o feitiço do mago.
No terceiro ato, o mago, disfarçado de um nobre cavalheiro, acompanhado de sua filha, vão até a Corte da Rainha. O príncipe julga ser a filha do cavalheiro a sua amada Odette. Mas na verdade, é Odile. A dança do cisne negro enfeitiça Siegfried e ele proclama Odile como sua bela futura esposa, quebrando o juramento feito a Odette.
No quarto ato, Odette está destroçada pela decisão do príncipe e pela sua má sorte. Mas eis que o príncipe surge e explica como fora enganado e enfeitiçado pelo mago e sua filha. Odette o perdoa e os dois renovam os votos de amor um pelo outro. Aparece neste momento, Rothbart que tenta matar Odette. Mas o príncipe corta as asas do mago fazendo com que ele perca seus poderes e depois, casa-se com sua amada.

segunda-feira, 3 de março de 2014

Asa Branca, Luiz Gonzaga.

A famosa canção Asa Branca, de Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira, foi composta no dia 03 de março de 1947. A letra traz o tema da seca do Nordeste brasileiro.  De tão intensa que a seca pode chegar a ser, faz com que até mesmo a ave asa-branca (uma espécie de pombo), migre para outro lugar. E assim também acontece com um rapaz, na canção, que se muda para outra região mas que promete um dia voltar para os braços de sua amada.

Esta música foi gravada por diversos artistas. É uma canção de choro regional conhecido como baião. Segue a letra:

Quando olhei a terra ardendo
Qual a fogueira de São João
Eu perguntei a Deus do céu, ai
Por que tamanha judiação
Eu perguntei a Deus do céu, ai
Por que tamanha judiação


Que braseiro, que fornalha
Nem um pé de prantação
Por falta d'água perdi meu gado
Morreu de sede meu alazão

Por farta d'água perdi meu gado
Morreu de sede meu alazão


Inté mesmo a asa branca
Bateu asas do sertão
Então eu disse, adeus Rosinha
Guarda contigo meu coração

Então eu disse, adeus Rosinha
Guarda contigo meu coração


Hoje longe, muitas léguas
Numa triste solidão
Espero a chuva cair de novo
Pra mim voltar pro meu sertão

Espero a chuva cair de novo
Pra mim voltar pro meu sertão


Quando o verde dos teus olhos
Se espalhar na prantação
Eu te asseguro não chore não, viu
Que eu voltarei, viu
Meu coração

Eu te asseguro não chore não, viu
Que eu voltarei, viu
Meu coração

domingo, 1 de agosto de 2010

Lugh e a Missa do Pão.

O dia de hoje é dedicado ao Festival da Colheita que tem como deus regente Lugh. Na mitologia celta, esse é o deus que garante a maturação das sementes, sua colheita e o fornecimento dos grãos para o próximo plantio.

Lugh era sábio, feiticeiro e músico. Era o deus de todas as artes e artesanatos. Mas acima de tudo era um guerreiro divino. Foi ele quem levou os Deuses da Luz e da Bondade à vitória sobre os gigantes grotescos e violentos.

Conta a lenda que seu avô, Balor, quase o matou quando ele nasceu. Existia uma profecia de que Balor seria morto por um neto e como ele só tinha uma filha, tratou de aprisioná-la numa caverna. Mas tempos depois, ela foi seduzida e deu à luz a trigêmeos. Lugh conseguiu escapar do afogamento e cresceu protegido pelo deus ferreiro, Goibnu. Se tornou um rapaz bonito e inteligente.

A fama de Lugh, dentre outras coisas a de habilidoso, chegou até os ouvidos do rei Nuanda, que mandou lhe chamar. O Rei confia então o trono à Lugh para que este vença a batalha final entre os Tuatha de Danann e os Fomore, liderados por Bolor. Uma luta entre o bem e o mal.

Lugh vence a batalha e no final atira uma pedra em seu avô, que ferido no olho é morto. Concretiza-se a profecia tão temida pelo líder dos guerreiros maus.

E assim começa Agosto. Um mês favorável para avaliar a sua colheita a partir daquilo que foi plantado nos meses anteriores. A árvore sagrada de Agosto é a macieira, cujo fruto está sempre presente em rituais mágicos e ligados à veneração da deusa.

O dia de hoje também é chamado no hemisfério norte de Festival de Lammas, que em inglês arcaico significa a Missa do Pão, a festa do pão fresco feito dos primeiros grãos de trigo. No hemisfério sul, esse festival acontece no primeiro dia do mês de fevereiro.

É um tempo em que devemos meditar a respeito das sementes que não vingaram e das ervas daninhas que de alguma forma prejudicaram seus esforços. Remova ou fortaleça a terra de sustento de seus projetos.

Pense em Lugh, que mesmo antes de nascer já existia uma força contrária à sua existência. No entanto, ele trilhou o caminho do bem e mereceu o trono que lhe foi ofertado.

O lema de Agosto é “descanse, mas não descuide de seu desenvolvimento interior.”

A imagem 1 veio daqui.
A imagem 2 veio daqui.

segunda-feira, 14 de junho de 2010

Aniversário das Musas.

Conta a mitologia grega que as Musas foram criadas para perpetuar com cantos e glórias a vitória dos deuses do Olimpo sobre os Titãs, filhos de Urano. Zeus, encarregado de criá-las, partilhou o leito com a deusa da memória, Mnemósine. Foram nove noites consecutivas e um ano mais tarde, tiveram nove filhas num lugar próximo ao monte Olimpo.

As Musas cantavam o presente, o passado e o futuro acompanhadas da lira de Apolo. No início eram apenas deusas da música e ninfas dos rios e lagos mas posteriormente suas funções e atributos foram se diversificando. Ficaram conhecidas como aquelas que inspiravam e estimulavam a criatividade dos artistas. O correspondente masculino seria o fauno, mas este não tem a mesma capacidade inspiradora na mitologia.

O templo das Musas chamava-se Museion. Mais tarde esse termo deu origem à palavra museu que acabou incorporado nas diversas línguas indo-européias como local de cultivo e preservação das artes e ciências.

As nove Musas:
Clio (musa proclamadora). É a musa da História e tem como símbolos o clarim heróico e um pergaminho parcialmente aberto.

Euterpe (musa doadora de prazeres). É a musa da poesia lírica e tem por símbolo a flauta. Ao seu lado estão papéis de música.

Tália (musa que faz brotar flores). É a musa da comédia. Vestia uma máscara cômica e portava ramos de hera.

Melpômene (musa poetisa). É a musa da tragédia. Usava máscara trágica e folhas de videira.

Terpsícore (musa rodopiante). É a musa da dança e também a que regia o canto coral. Alguns autores a chamam de mãe das sereias.

Érato (musa amável). É a musa da poesia lírica. Coroada de rosas segura um arco na mão esquerda.

Polímnia (musa dos hinos). É a musa dos hinos sagrados e da narração das histórias. Possui uma atitude de meditação com um dedo na boca.

Urânia (musa celestial). É a musa da astronomia. Coroada de estrelas possui um globo e um compasso.

Calíope (musa da bela voz). É a musa da eloquência. Teve dois filhos com Apolo: Himeneu e Iálemo. E com Eagro teve Orfeu, o célebre cantor da Trácia.

Hoje, como é o aniversário das Musas, é um bom dia para se conectar com elas e receber inspirações dos seus dons artísticos e musicais. Acenda um incenso, de preferência de Verbena, e coloque uma música antiga, medieval ou New Age. Imagine estas Musas dançando ao seu redor num campo verde e florido. Imagine que elas sussuram-lhe palavras de conforto e de inspiração. Depois, se puder, coma uma maçã ou uvas.

A imagem 1 veio daqui.
A imagem 2 veio daqui.