Meu nome é Nalda e sou uma samaritana.
Não escrevo para
explicar a minha gente, nem para pedir que nos compreendam. Escrevo porque a
terra onde nasci guarda vozes demais para permanecer em silêncio.
Samaria não é apenas
um lugar entre colinas. É uma memória que nunca encontrou repouso. Aqui, cada
pedra sabe mais do que diz, e cada caminho carrega marcas de passos que já não
estão.
A nossa história não
começa onde os outros dizem que começa. Ela brota antes, como a água que sobe
do fundo do poço sem pedir licença. Cresci ouvindo nomes como Jacó, José,
Gerizim, como quem ouve o vento: sem vê-lo, mas sabendo que ele passa.
O poço sempre esteve
ali, mais velho do que qualquer palavra que tentasse explicá-lo.
E, de algum modo,
sempre esteve em mim.
Trecho do livro A Samaritana do Poço, entre a sede e a fonte, de Maria Cecile Azambuja.

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