Na tradição iorubá, Odùduwà representa o momento em que o mundo deixa de ser possibilidade e passa a ter forma. Antes dele, havia apenas o informe, o indeterminado, o excesso de céu e a ausência de chão.
Odùduwà é aquele que faz a terra aparecer.
Segundo o mito, quando Olódùmarè confiou a criação do mundo aos orixás, foi Odùduwà quem trouxe o elemento essencial: a capacidade de assentar, de fixar, de transformar o caos em base habitável. Ele não cria pelo movimento, mas pela estabilidade.
Por isso, Odùduwà é associado:
à fundação,
à ancestralidade,
à legitimidade do poder,
e à origem das linhagens.
Nada começa verdadeiramente sem que Odùduwà tenha “pisado” antes.
O arquétipo de Odùduwà
No plano simbólico, Odùduwà rege:
o momento de encerramento do caos,
a passagem do abstrato para o concreto,
a autoridade que não se impõe pelo ruído, mas pela presença.
Ele não disputa.
Ele se estabelece.
É o arquétipo do fundador silencioso, daquele cuja força não está na expansão, mas na raiz.
Odùduwà e o tempo
O dia 12 de janeiro carrega bem essa energia:
não é mais início impulsivo, nem expectativa difusa.
É o ponto em que o ano pede estrutura, chão e direção real.
Invocar Odùduwà simbolicamente neste dia é reconhecer que:
-
nem tudo precisa crescer agora,
-
primeiro, precisa se firmar.
Reflexão final
Odùduwà ensina que:
antes do caminho, é preciso solo;
antes da palavra, é preciso base;
antes do futuro, é preciso assentar o presente.
Onde há excesso de movimento, ele pede pausa.
Onde há dúvida, ele pede raiz.
E quando Odùduwà se faz presente,
o mundo deixa de flutuar.

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