Uma Pincelada em Thelema
De Agenda Esotérica
UMA PINCELADA EM THELEMA
Izobel 93
No princípio era o Verbo, muitos anos depois veio 1904, um poeta e místico chamado Aleister Crowley, e a deflagração da religião conhecida por Thelema. A palavra Thelema (significa Vontade em grego) tem o valor numérico de 93, o mesmo de Agape (amor). Por isto, alguns thelemitas utilizam-se do número 93, já que este equivale à própria palavra "thelema".
Os princípios que regem a doutrina thelêmica encontram-se no Liber Al Vel Legis, ou Livro da Lei. Este livro foi recebido pela Besta 666 - um dos nomes mágicos do Crowley - em 1904, quando ele estava no Egito. O livro possui 3 capítulos, o primeiro com 66 "versos", o segundo com 79 e o terceiro com 75. Cada capítulo é dedicado a manifestação de uma das divindades que representam os princípios cósmicos do Universo em Thelema: Nuit, a deusa do espaço infinito, a mulher de pálpebras azuis; Hadit, a serpente alada de luz, doadora da vida e Ra-Hoor-Kuit, o senhor do Cosmo, a criança coroada nascida da união de Nuit e Hadit, que representa a consciência.
Thelemitas como eu, acreditam que a Verdade está em movimento; nada fica estagnado. A humanidade já passou por várias eras, evoluiu através da expansão de sua consciência. O mesmo se dá com os valores religiosos; estes sucedem-se em diferentes eras. Crowley chamou estas eras de Aeons, cada um possuindo um traço predominante que difere dos outros. Este traço, este diferencial é o arquétipo central da divindade do Aeon vigente no período. É pelo arquétipo que temos a determinação dos valores, crenças e dogmas durante o Aeon. Deste modo, teríamos o Aeon de Ísis, em que a divindade estava ligada à Mãe-Terra e à idéia de retribuição ao sustento que esta provia ao homem; o Aeon de Osíris em que exaltava-se o poder do Deus-Pai e tinha-se como idéia central o auto-sacríficio e a submissão. Em seguida, o Aeon de Horus, regido pelo Princípio da Criança coroada, soberana de si mesa, em que o homem busca à evolução e à expansão de sua consciência através da auto-realização.
A doutrina Thelêmica pode ser inserida no Aeon de Horus; os thelemitas consideram-se como estrelas com brilho e luz própria - "Todo Homem e toda a Mulher é uma Estrela", AL, I:3. Mas, para realmente brilharem como estrelas ou sóis - afinal, lembremos que o sol é uma estrela - precisam antes de tudo, buscar sua Verdadeira Vontade. Vontade difere de desejo, enquanto uma é firme e forte, o outro é efêmero e muitas vezes, frívolo. A Verdadeira Vontade está ligada ao Eu superior, ou ao Self como dito pela psicologia; o desejo é uma reação motivada somente pelos instintos.
Compreendendo-se isto, fica mais fácil entender a frase "Tu não tens direito a não ser fazer a Tua Vontade. Faze isto, e nenhum outro dirá não." AL, I:42-43. A Verdadeira Vontade é algo sagrado; é a mais alta expressão do Eu Superior de cada um e faz com que o homem - estrela - desperte para seu lugar na grande Roda Universal. Por ter total consciência de si, esta estrela não se prenderá a dogmas ou falsas leis que não estejam em consonância com seu Querer Verdadeiro: "Não existe Lei além de Faze o que tu Queres" AL, III:60 e "Faze o que queres há de ser o todo da Lei", AL, I:40.
A busca da Verdadeira Vontade para um thelemita é um fator determinante para sua evolução. Ao lado dela, temos também o Conhecimento e Conversação com o Sagrado Anjo Guardião, outro importante passo para a obtenção da Verdadeira Vontade. O SAG ou Augoeides, pode ser considerado com a Divindade Pessoal de cada indíviduo. Segundo J.R.R. Abrahão em seu livro, Curso de Magia, o SAG seria "o Arquétipo com o qual buscamos união, a mais sublime Energia alcançável pelos seres humanos." Para que tal fato ocorra, empregam-se métodos diversos e variados, envolvendo teoria e prática mágickas.
Imagine um escultor que dedica horas e horas de sua vida a esculpir cuidadosamente sua obra no intuito de fazer dela sua mais sublime criação. Ele assim passa dias e mais dias martelando, dando forma ao que antes era apenas uma pedra disforme e fria. Enquanto martelava e batia, noite após noite, muitas vezes ferindo-se ou cansando-se mas sem desistir de seu objetivo, desenvolve não uma devoção ao seu trabalho; e sim, uma espécie de amor pela sua criação. Quando da contemplação final de sua obra, uma emoção toma-lhe o pensamento e este recai em lágrimas: felicidade por ter conseguido atingir seu objetivo? Não, são lágrimas de amor por sua criação.
Mas não é uma espécie de amor frívolo ou uma paixão puramente guiada por seus instintos; é um amor verdadeiro, que este nunca dantes havia sentido. Assim é com o thelemita: ao completar sua obra - recriar a si mesmo através da Verdadeira Vontade - este desenvolve um sentimento de amor por sua mais sublime criação. Mas não um amor qualquer, mas um Amor que foi guiado por sua Vontade e está subjugado a ela: "Amor é a Lei, Amor sob Vontade." AL, I:57.
Ei, mas não tome tudo o que escrevi até agora como Verdades Absolutas sobre Thelema! Afinal, não existem Verdades ou Mentiras que sejam 100%, certo? Você pode ter uma agradável surpresa ao conversar com um thelemita com interpretações dos postulados diferentes das minhas. Lembre-se: a Verdade está em eterno movimento...
Texto enviado por Izobel 93!
